
Luiza Brunet voltou a falar publicamente sobre as agressões sofridas em 2016 pelo ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto. Nesta terça-feira (13), a modelo questionou o valor de R$ 150 mil estabelecido pela Justiça de São Paulo como indenização por danos morais e afirmou que a quantia não representa uma reparação proporcional à violência sofrida.
A decisão foi assinada em 8 de outubro e reconheceu o direito de Luiza à compensação pelos danos morais. Em publicação nas redes sociais, ela comemorou o reconhecimento judicial, mas ressaltou que a indenização precisa ter um efeito concreto na responsabilização de quem comete violência doméstica.
“Depois de tantos anos, finalmente saiu a sentença que condenou meu agressor a me indenizar pelos danos morais que me causou. A Justiça reconheceu a violência que sofri. Mas reconhecer o dano não significa, necessariamente, repará-lo de maneira justa”, escreveu.
Luiza reconheceu que R$ 150 mil representa uma quantia expressiva para grande parte dos brasileiros. No entanto, argumentou que o valor tem pouco impacto diante do patrimônio de Parisotto, estimado em bilhões de reais.
“Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?”, questionou.
A modelo afirmou que nenhuma quantia é capaz de apagar as consequências físicas e emocionais de uma agressão, mas defendeu que a indenização também precisa representar uma forma efetiva de responsabilização.
“Não se trata de colocar preço na dor. Nenhum dinheiro apaga uma agressão, devolve a tranquilidade perdida ou repara integralmente as marcas físicas e emocionais deixadas pela violência”, declarou.
Luiza também disse que pretende continuar buscando uma reparação que considere compatível com a gravidade do episódio e suas consequências.
O caso ocorreu em 22 de maio de 2016, durante uma viagem do então casal a Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, Luiza sofreu quatro fraturas nas costelas, além de hematomas no rosto e em outras partes do corpo.
Parisotto foi condenado criminalmente pelas agressões, e a condenação se tornou definitiva em fevereiro de 2021. A ação cível agora discutia a reparação financeira pelos danos sofridos pela modelo.
A decisão estabeleceu o pagamento de R$ 150 mil por danos morais, com atualização monetária e juros conforme os critérios definidos na sentença. O empresário ainda pode recorrer.
Além dos danos morais, Luiza havia solicitado compensação por prejuízos materiais e rendimentos que afirmou ter deixado de receber após o episódio.
Esses pedidos foram rejeitados. Segundo a decisão, não foram apresentadas provas suficientes para demonstrar que a agressão provocou diretamente a perda de contratos e oportunidades profissionais mencionadas no processo.
A negativa não altera o reconhecimento judicial dos danos morais decorrentes da violência.
Após denunciar as agressões, a modelo passou a utilizar sua visibilidade para ampliar o debate sobre violência contra a mulher e defender os direitos das vítimas.
Na publicação, ela afirmou que a experiência fortaleceu seu compromisso com a causa e que a discussão sobre indenizações precisa considerar a gravidade da violência, os danos provocados e a capacidade econômica de quem foi condenado.
“Uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor”, escreveu.
Ao encerrar o desabafo, Luiza ressaltou que a decisão representa uma etapa de uma longa batalha judicial, mas que ainda há questões a serem discutidas sobre a efetividade da reparação às vítimas de violência doméstica.
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