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Do minimalismo à “casa de vó”: Aldemar Maciel defende arquitetura com cara de lar

Arquiteto paraibano, especialista em iluminação, acredita que o projeto deve respeitar o estilo de cada cliente sem abrir mão de conforto, personalidade e acolhimento

30/09/2026 às 10h20 Atualizada em 30/09/2026 às 12h14
Por: Redação
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Divulgação
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O que faz uma casa realmente parecer um lar? Para o arquiteto paraibano Aldemar Maciel, a resposta vai muito além da escolha de móveis, revestimentos ou de uma determinada tendência estética. Com mais de 15 anos de experiência, projetos em residências de importantes condomínios da Paraíba e trabalhos que também incluem espaços comerciais, como academias, o profissional defende uma arquitetura capaz de traduzir a personalidade de quem vive naquele ambiente.

Especialista em Iluminação e Design de Interiores, Aldemar construiu parte de sua trajetória profissional em um dos escritórios de arquitetura mais reconhecidos da Paraíba, o da arquiteta Sandra Moura. A experiência ajudou a consolidar uma visão de projeto que une estética, funcionalidade e, principalmente, a relação das pessoas com os espaços.

Para ele, uma casa sofisticada não precisa necessariamente ser fria ou excessivamente impessoal. E uma casa aconchegante também não precisa seguir um único estilo.

“Arquitetura não deve impor um estilo ao cliente. O minimalismo pode ser lindo, assim como uma casa cheia de referências, cores, objetos e memórias. O meu papel é entender quem vai morar naquele espaço e transformar o gosto dessa pessoa em uma casa que tenha identidade e, acima de tudo, cara de lar.”

A volta da “casa de vó”

Nos últimos tempos, a chamada “casa de vó” ganhou espaço nas conversas sobre arquitetura e decoração. O conceito resgata elementos associados à memória afetiva, como móveis antigos, madeira, tecidos, objetos de família, plantas, iluminação mais quente e ambientes que parecem ter sido construídos ao longo dos anos.

A tendência ganhou ainda mais repercussão nas redes sociais depois que o cantor João Gomes relatou que não havia se identificado com propostas muito modernas e “quadradas” apresentadas para uma casa que pretendia construir. O episódio ajudou a alimentar uma discussão sobre até que ponto uma residência pode ser bonita e sofisticada sem deixar de representar a pessoa que vai morar nela.

Para Aldemar, entretanto, a discussão não deveria ser transformada em uma disputa entre estilos.

“Eu não acredito que exista uma arquitetura certa ou errada quando estamos falando da casa de alguém. Existe a arquitetura que faz sentido para aquela pessoa. O cliente pode gostar de linhas retas, poucos elementos, cores neutras e uma estética minimalista. Isso não significa que a casa precise ser fria. Através da iluminação, dos materiais, das texturas e da maneira como os ambientes são organizados, conseguimos criar acolhimento sem descaracterizar o estilo do morador.”

Iluminação como elemento de acolhimento

É justamente na iluminação que Aldemar encontra uma das principais ferramentas para transformar a atmosfera de um projeto.

A luz pode valorizar materiais, destacar obras de arte, criar diferentes cenas dentro de um mesmo ambiente e modificar a percepção de espaços durante a noite. Para o arquiteto, o projeto luminotécnico não deve ser tratado apenas como uma questão técnica, mas também como parte da experiência de quem ocupa a casa.

“A iluminação é capaz de mudar completamente a sensação de um ambiente. Uma mesma sala pode ser funcional durante o dia e, à noite, se transformar em um espaço muito mais intimista. Quando a luz é bem pensada, ela ajuda a contar a história daquela casa.”

A importância da iluminação na arquitetura está justamente na integração entre aspectos técnicos, percepção, conforto e atmosfera. O projeto luminotécnico pode trabalhar tanto a luz natural quanto a artificial para criar diferentes experiências dentro do ambiente.

Personalidade acima da tendência

Com projetos que passam por diferentes perfis de clientes, Aldemar afirma que uma das principais preocupações é evitar que as casas acabem reproduzindo simplesmente aquilo que está em alta no mercado.

A tendência pode servir como referência, mas não deve determinar sozinha o resultado final.

“Uma casa não precisa parecer uma fotografia de revista. Ela precisa parecer com quem mora nela. O que está em alta hoje pode mudar daqui a alguns anos, mas a relação que uma pessoa constrói com a própria casa permanece.”

Isso não significa, segundo o arquiteto, abandonar a contemporaneidade ou rejeitar o minimalismo. Pelo contrário: a proposta é encontrar soluções dentro de qualquer linguagem estética que permitam ao morador se reconhecer no espaço.

“Se o cliente quer uma casa minimalista, vamos fazer uma casa minimalista. Se ele quer uma casa mais clássica, afetiva ou cheia de referências, também vamos fazer. O desafio é conseguir atender esse desejo e, ao mesmo tempo, criar um ambiente confortável, funcional e acolhedor.”

Arquitetura que acompanha a vida

Essa busca por equilíbrio aparece em diferentes trabalhos desenvolvidos por Aldemar ao longo da carreira. Em 2016, ele esteve entre os profissionais que assinaram ambientes da primeira edição da Casa Cor Paraíba, incluindo o Jardim do Flamboyant, projeto realizado ao lado dos arquitetos Odair Tavares e Rodolfo Cruz. O espaço privilegiava o convívio e a integração com o ambiente externo. 

Hoje, além das residências, sua atuação inclui projetos comerciais e ambientes que exigem soluções específicas de funcionalidade e iluminação.

Para Aldemar, independentemente do tamanho ou do padrão de uma propriedade, o princípio continua sendo o mesmo: entender as pessoas antes de desenhar os espaços.

“No final das contas, arquitetura é sobre pessoas. Você pode ter uma casa enorme, sofisticada e cheia de tecnologia, mas, se a pessoa não se sentir bem ali, alguma coisa ficou pelo caminho. Meu objetivo é que o cliente entre em casa e sinta que aquele espaço pertence a ele.”

É nessa perspectiva que a discussão sobre a “casa de vó” ganha outro significado. Mais do que reproduzir uma estética do passado, o movimento pode ser entendido como uma valorização daquilo que faz uma residência deixar de ser apenas uma construção e passar a carregar histórias, afetos e identidade.

E, para Aldemar, isso pode acontecer em qualquer estilo.

“A casa mais bonita é aquela em que você consegue perceber que existe uma história acontecendo ali.”

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